vidas
 
Está na moda este negócio de regressão a vidas passadas.
 
Não que eu seja cético e ache que o shakeaspeare só queria falar bonito quando afirmou que entre o céu e a terra há muito mais coisas do que sonha a nossa vã filosofia.
 
Todavia, quando coisas como regressão a vidas passadas viram moda, acabam caindo no ridículo.
 
Uma amiga nossa mudou totalmente os ares após a regressão que fez em New York: ela houvera por duas vezes, em duas distintas vidas, sido rainha.
 
Uma vez foi uma poderosa rainha na Tunísia – eu nem sabia que a Tunísia tinha tido alguma rainha - e outra vez foi nada menos que a própria rainha Margot. Agora ela anda com aquele ar entre blasè e altivo que Margot portava.
 
Um amigo de casa, em regressão até oito vidas atrás - rapaz vivido este - descobriu que na segunda, de trás pra frente, foi irmão da minha esposa.
 
Já falei à patroa para regredir também e conferir se de fato isto ocorreu e verificar se ele era um bom irmão como bom amigo é.
 
Um conhecido meu ficou um pouco decepcionado com a regressão que fez: em nenhuma das vidas que já viveu foi, como os demais, rei, príncipe, general, marechal e nem sequer sargento de alguma poderosa legião romana.
 
Imaginem: ele passou várias vidas como escravo ou simples mascate. Eu o consolo dizendo que pelo menos agora progrediu: é engenheiro.
 
Ele contesta dizendo que não progrediu coisa nenhuma: na empresa onde ele trabalha ele não passa de um escravo.
 
Bom mesmo foi uma amiga da minha esposa. Ela não conseguiu regredir nem uma vida. Seus duzentos reais, preço cobrado pelo emissor do bilhete de viagem, de nada adiantaram. Não conseguiu decolar rumo ao passado.
 
A explicação é simples, falei a minha esposa quando ela me relatou o fato: esta é a primeira vida dela. A dita cuja ganhou uma alma novinha em folha, recém saída do forno e ainda quentinha. Na próxima vida sim, ela poderá regredir a esta que agora vive.
 
Agora, como se não bastasse a regressão, inventaram uma nova terapia: lavagem de alma.
 
Não confunda com a atitude que alguns têm de se vingar de alguém, que também se conhece por lavar a alma. Não se trata de algo mesquinho como isto. É lavar mesmo a alma, não com Omo total radiante, para ela ficar branquinha, mas algo bem mais sofisticado e transcendental.
 
É que quando a alma vai sendo muito usada, através de várias vidas, ela vai ficando encardida, afinal tem gente que coloca a alma em qualquer buraco e alguns até vendem a pobre coitada.
 
Lavá-la de vez em quando seria de fato salutar. É certo que há pessoas cuja alma já manchou e não tem como limpar, nem com Q-Boa, mas já existem pesquisas adiantadas em laboratórios metempsicóticos sobre o assunto e em mais alguns anos, as almas manchadas também poderão ser limpas.

Comments (4)

On 29 de jul de 2011 16:35:00 , Eduardo Carrera disse...

Apesar de não acreditar em nenhuma dessas crenças, o que vale mesmo é saber que o autor brinca com as palavras! Dez!

 
On 24 de fev de 2012 09:55:00 , Anônimo disse...

Apenas duas perguntas, posso?
Como você explica o fato de crianças de três, quatro e cinco anos, manusearem de forma impecavel, o piano e outros instrumentos?
Talvez voc^responda argumentando sobre a capacidade neurológica avançada devido a um disfunção cogntiva ou genética. Ou então você se debruçará em livro neurocientificos ou em pulicações da science ou em artigos on line, porém pergunte-se a si sobre a resposta mais lógica, é um simples conselho que lhe vendo ao custo do link que usa para manter seu blog na grande rede, lembr-se conselho bom é vendido e não dado. Não interprete esta postagem como de um ser humano religioso, apenas sou um devoto da lógica disciplina esquecida a séculos e que pela felicidade nossa voltou a ser observada.

C.Mendes

 
On 25 de fev de 2012 19:25:00 , Parsifal Pontes disse...

Olá C. Mendes,

Convido-lhe a ler, novamente, o texto, para que constate que, em momento algum, eu disse que não acredito absolutamente no assunto: o texto é sobre pessoas que fizeram disto uma espécie de comércio e andam por aí oferecendo “regressões” a preços módicos.
Há sítios na internet que, depois de algumas perguntas respondidas, apresentam “as vidas passadas” do internauta.
Isto vulgariza e descredencia o assunto, transformando-o em um modismo que tange o que poderia ter de verdadeiro no objeto.
É isto que eu quis significar com os episódios narrados, que, de fato, ocorreram, quando um “regressor de vidas” chegou em Tucuruí, há alguns anos, vendendo o seus serviços por R$ 250,00 por regressão.
Quanto às explicações, elas poderiam sim vir de onde você sugere que eu iria busca-las, e, igualmente, poderiam ter correlação com o objeto cuidado. Em um caso concreto, não há razão para não perquirir as duas hipóteses, de forma absolutamente científica.
Não tenho opinião formada sobre o assunto, mas, creio que estas coisas não deveriam ser transformadas em simples curiosidade e sim fruto de extrema necessidade. Eu não tenho necessidade alguma de saber quem eu fui em vidas passadas assim como eu não vou à farmácia comprar remédio para dor de cabeça se não a tenho.
Não tenho, também, preconceito algum com coisa alguma. Se um dia eu for convencido de que é de extrema necessidade eu, pelo menos tentar, fazer uma terapia de vidas passadas, não tenho problema algum em me submeter a isto, pois, há coisas que não precisam, não podem, ou não devem ser assunto de persecução dialética.

 
On 15 de ago de 2012 21:05:00 , Anônimo disse...

eu queria que meu grande amor voltase