cristo
 
Fui ver o filme do Mel Gibson que retrata as últimas 12 horas de Cristo. Gibson perdeu uma ótima oportunidade de fazer um grande filme: o texto não é talentoso e Jim Caviezel fica apenas no bom, mas o tema tem apelo incontestável.
 
Uma das curiosidades da película é que os textos são todos falados em aramaico, latim e hebraico: as línguas faladas à época em que viveu Jesus.
 
“A Paixão de Cristo” conseguiu transmitir a violência bruta que flagelou o Messias na sexta-feira, e aí Gibson causou polêmica ao jogar o espectador contra os judeus: foi a coisa mais anti-semita que eu já vi, desde que Veit Harlan, a pedido de Goebbels, realizou “O Judeu Süss”.
 
A violência não tem raça ou credo: é uma característica infeliz da personalidade humana. Portanto, a Paixão de Cristo não deve ser observada sob a ótica do preconceito racial.
 
Ao cabo, todos nós fomos os carrascos de Cristo, mas, também, carregamos a cruz com Ele. Açoitamos-Lhe todos os dias, e estamos, contritos, em algum momento deste mesmo dia, a rogar-Lhe perdão e a dedicar-Lhe amor.
 
O filme de Gibson pode ser resumido como uma oração angustiada, cujo mérito está na robustez da imagem e na contrição da mensagem: sai-se do cinema, como Maria, resignadamente compadecido.
 
Maria, no filme, apresenta-se com toda a pureza serena da resignação: o sofrimento, quando inevitável, deve ser aceito com nobreza de espírito e não com o desespero dos não revelados.
 
O papa, após ver o filme, teria dito que "as coisas assim se passaram", o que faz com que a narrativa de Gibson assuma ares de axioma.
 
O filme será um clássico cristão, pois a sua narrativa renova a fé, e a fé é o mais precioso fundamento do cristianismo.

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