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Os ventos gelados dos grandes lagos fazem com que o inverno de Chicago seja um dos mais rigorosos dos EUA. Temperaturas de 10 graus abaixo de zero não são difíceis por aqui em janeiro.
 
No Brasil se morre de fome ou sede pelas ruas das cidades. Nos EUA os homeless morrem de frio durante o inverno: os abrigos espalhados pela cidade não são quentes o bastante para agasalhá-los.
 
A riqueza é diferente nos diversos mundos, mas a miséria é igual no mundo inteiro.
 
O homem já descobriu tantas maravilhas, inventou e fabricou coisas que até ontem julgávamos impossível, todavia ainda não conseguiu tornar o mundo menos injusto.
 
Chicago é a maior metrópole do centro-oeste americano. Seus aproximados seis milhões de habitantes se espalham por dezesseis municipalidades autônomas financeira-administrativamente e interdependentes politicamente.
Diferente de Miami, Nova Iorque e Los Angeles, que são capitais do mundo, com etnias diversas, por aqui se vê o tipo norte-americano com maior predominância e seus subúrbios mostram claramente o tão falado american way of life.
 
Aqui surgiu o fenômeno de delinquência social que mais marcou os EUA no pós guerra: o gangsterismo.
 
A Lei Seca, proibição de vender bebidas alcoólicas em território americano, propiciou o contrabando das mesmas, principalmente do Canadá, e Chicago era o grande ponto de distribuição do álcool para o resto dos EUA.
Desta época conturbada vieram os nomes mais famosos da criminalidade cult estadunidense, como Al Capone, Lucky Luciano e Bugsy Malone que comandavam o crime organizado de Chicago, Nova Iorque e São Francisco respectivamente, cada um com um pedaço dos EUA.
 
Ainda hoje está em pé, embora em ruínas, o hotel que Capone mandou construir para morar e se divertir. Os mais românticos costumam contar que ele enrolava charutos em notas de 100 dólares e os fumava enquanto jogava.
 
A cidade não é tão diferente de qualquer outra metrópole do mundo. A Avenida Michigan, no entanto, concentra os mais belos edifícios do planeta. Não são arranha-céus simplesmente. São obras de arte em concreto.
 
O mesmo ocorre às margens do Rio Michigan, que disputa, com a Avenida Michigan, o deslumbramento do visitante, cada qual querendo ter os mais belos prédios da Terra.
 
Um tour pelo Rio Michigan desde Up City até a eclusa que conduz ao maior dos três grandes lagos, o Michigan, é algo singular.
 
Outro ponto imperdível é o Shred Aquariaum, o maior aquário do mundo: de minúsculos peixes a baleias brancas podem ser vistos por lá. Tudo dentro de um enorme prédio em estilo neoclássico.
 
Não se deve também deixar de visitar a Universidade de Chicago que está entre as três melhores dos EUA e entre as sete melhores do mundo. É uma cidade em estilo renascentista que detém em seu território nada menos que 12 prêmios Nobel, e o recorde dos mesmos em Economia. O laboratório de linguística da Universidade é o mais avançado do planeta.
 
O mais belo porém em Chicago não verei desta vez: o crepúsculo de verão, quando o sol mergulha inteiro no Lago Michigan.
 
O inverno aqui é horrível: os ventos gelados que sopram dos Grandes Lagos são como farpas frias a nos atravessar o peito.
 
No último inverno que passei aqui, a cidade ofereceu-me uma cena memorável: na saída do teatro, a um frio de rachar a alma e um vento cruel que zumbia ameaçador, um mendigo congelado estendia uma caneca para receber algum cent.
 
Por trás do mendigo o enorme portfólio da peça que estava em cartaz, iluminado por cores fortes que lhe davam a magnitude da obra: Os Miseráveis, de Victor Hugo. Certas horas a vida tem um senso macabro de humor.
 
Bati uma foto da cena e mandei para o Chicago Tribune, o maior jornal da cidade e um dos maiores dos EUA. Acho que não acharam digno de publicação.
 
Afinal, aquilo, definitivamente, não era Chicago. Somente um pedaço do Haiti no Norte da América.
 
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