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Se puder e tiver uma semana, não deixe de visitar Cuba enquanto Fidel Castro ainda está vivo: a ilha mudou com ele e jamais será a mesma depois dele.

Ao chegar à capital, perambule pela parte antiga da Villa de San Cristóbal de La Habana, ou simplesmente, La Habana. A área, denominada Vedado, é declarada pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade.
 
O bairro recebeu esse nome porque antes da revolução somente pessoas autorizadas - proprietários, hóspedes e empregados - podiam circular ali: para os demais era vedado.

O Vedado está sendo todo recuperado: lá estão os seculares casarões, palacetes e igrejas, com fachadas em estilo pré-barroco, barroco, neoclássico, art nouveau, e art dèco. É onde está a Catedral de La Habana, o Museu das Armas e a Plaza Vieja.

Pode andar a pé pela cidade e se misturar com o povo. O cubano é algo assim como o brasileiro: dado à falar de si e querer saber dos outros.

Os cubanos nos adoram pelas nossas novelas, que são sucesso por lá: El Comandante, de vez em quando, se refere a elas em seus discursos.

Como a maioria dos cubanos ainda não têm acesso aos bens de consumo pessoal que temos, brilham os olhos aos nossos relógios, óculos e celulares e querem troca-los por qualquer coisa.

Na última vez que eu estive em Cuba fiz um ótimo negócio: troquei o meu aparelho celular por 6 horas, divididas em dois dias, de perambulação de carroça, pela parte residencial de La Habana, onde estão as residências coletivas e o verdadeiro cotidiano da cidade, jamais mostrado por La Oficialidad.
 
Não deixe de andar por esta parte da cidade: com mais cautela, é claro, pois, como em qualquer metrópole, a malandragem corre solta.

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Nos hotéis estão à serviço modernos táxis estatais. A frota está composta, em sua maioria, de Mercedez e Citroëns: a época dos ladas já passou.

Todavia, não deixe de pegar os táxis que circulam pela cidade. São táxis coletivos, mais ou menos como as nossas vans: aí ainda estão os ladas, e aqueles peculiares modelos norte-americanos pré-revolução, que os cubanos fazem mágica para manter em circulação.

Têm, também as carroças de tração animal, e uma engenhoca que chamam de Coco Táxi, uma espécie de triciclo motorizado com capacidade para dois passageiros: é ótimo ver Cuba de dentro deles.
 
O tradicional das visitas, é a Plaza de La Revolución, principal ponto de manifestações cívicas de La Habana, onde está aquele enorme pôster do rosto de El Che, que ainda faz sucesso pelo mundo afora nas camisetas dos jovens, e onde acontecem os longos discursos de El Comandante Fidel.
 
Visite o Museu do Rum, onde se pode ver a bebida sendo fabricada, a fábrica de Charutos Partagás, onde se veem os puros sendo elaborados, o Museu da Cidade, com peças da colonização hispânica, e o romântico Museu da Revolução, onde estão os objetos que marcaram a entrada de Fidel e Che em Cuba, para iniciar a batalha revolucionária desde Sierra Maestra até a entrada triunfal em La Habana, em 1959.
 
No dito museu está o minúsculo Granma: barco em que Fidel e os revolucionários navegaram do México a Cuba.
 
O Teatro Nacional, uma construção magnífica, por dentro e por fora, a Universidade de La Habana, o Teatro Karl Marx, uma visita ao Forte Colonial, que uma vista sensacional de Habana Vieja, são visitas que não podem sair do roteiro.
 
No Forte Colonial tem um pequeno museu sobre El Che, que teve nele seu escritório. Ali também acontece a cerimônia do canhonaço, lembrança dos tempos em que a ilha era colônia de Espanha.
 
Tire uma manhã para ir até Cojimar, área costeira a Leste de Havana, onde Hemingway conheceu o pescador Gregorio Fuentes, que o inspirou a escrever uma de suas obras primas, "O velho e o mar".
 
O restaurante que Hemingway costumava freqüentar no lugarejo ainda existe, hoje com o nome de Las Terrazas de Cojimar.
 
La Habana também tem o seu Capitólio Nacional, cópia fiel do de Washington, mas, dizendo os cubanos, un poquito mas largo (eu nunca me dei ao trabalho de medir, para conferir), e a sua Quinta Avenida, onde estão a maioria das embaixadas.

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Não deixe de visitar o Hotel Nacional, o mais chique da cidade: uma espécie de Copacabana Palace cubano.
 
Tem um belo restaurante e era lá que se hospedavam os artistas de Hollywood, na época em que La Habana era o balneário preferido dos sobrinhos do Tio Sam.
 
A orquestra do salão de bailes do Nacional ainda tocava para os burgueses rodopiarem quando as tropas de Fidel fincaram a última parada na véspera da entrada na cidade: um deja vu de Titanic em terra firme.
 
Passeie pelos jardins do Nacional, que dão frente para El Malecon. Na extrema direita dos jardins, em um pequeno promontório, está fincada a bandeira cubana: um ótimo ponto para uma tradicional foto.
 
Mas o hotel deveras peculiar é o Habana Livre, ex Habana Hilton. Foi nele que El Comandante, El Che, Cienfuegos – o verdadeiro articulador militar da Revolução - e assessores, estabeleceram o Quartel General ao chegarem em La Habana.
 
Contam os cubanos que o atual nome do hotel se deu em virtude da frase proferida por Fidel, que, ao adentrar no lobby, instou os revolucionários a um brinde: ergueu um copo com rum e exclamou: "Habana es livre!"
 
O Tropicana ainda é a melhor revista de La Habana e La Bodeguita Del Médio, que Hemingway também costumava frequentar, o boteco mais famoso das Américas. E, não esqueça de entrar na fila da Copelia e tomar um helado: já foi bem melhor, mas, ainda vale à pena, afinal faz parte do show.

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