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Há uns nove anos, rumo aos EUA, passamos três dias em Barbados, no mar do Caribe. Gostamos e prometemos voltar com mais tempo.
 
Quatro anos depois revisitamos Barbados. Desta visita duas coisas guardo: um poema que escrevi, “Barbados Revisited”, e a lembrança de uma simpática senhora de seus já oitenta e poucos anos.
Em uma loja de porcelanas eu me detive em uma belíssima peça: uma bailarina flamenca de Giuseppe Armani.
 
Eu estava absorto, admirando a peça quando uma voz doce e simpática, em um inglês melodioso e pronunciado com uma impostação perfeita aconselhou-me, como a adivinhar-me os pensamentos:
 
- É um maravilhoso biscuit, tenho uma em casa. Sei que se apaixonou por ela. Leve-a!
 
Virei-me e vi uma senhora de estatura mediana, cabelos grisalhos, traços finos e uma simpatia exuberante. Pensei tratar-se da dona da loja. Estendi-lhe a mão:
 
- Parsifal Pontes, tudo bem?
 
- Claudette Colbert, estou ótima. Respondeu.
 
A receptividade me permitiu brincar com ela:
 
- Claudette Colbert, a estrela do cinema?
 
- Sim, ela mesma! Respondeu.
 
Poderia ser. Até tinha traços que lembravam a jovem Colbert que ganhou o Oscar de melhor atriz em 1934 pela atuação na inesquecível comédia de Frank Capra, “Aconteceu naquela noite”. Mas eu não acreditei, é claro. Achei que ela havia apenas entrado no clima da brincadeira.
 
O fato é que ela me fez comprar a peça.
 
Talvez devido as eleições de outubro de 1994, que tomaram conta do noticiário, os jornais pouco se deram conta da morte de Claudette Colbert, no final de setembro, aos 93 anos.
 
Quando vi a notícia da morte da atriz na manchete de uma revista, a curiosidade levou-me a ler o conteúdo.
 
A carreira de Claudette Colbert durou sete décadas. Ela fez 64 filmes, contracenou com atores famosos como Clarck Gable em, Aconteceu naquela noite, e foi dirigida por Cecil B. De Mille em seu primeiro Cleópatra. Em 1989 recebeu, como reconhecimento máximo de seu trabalho pela arte cinematográfica, um dos mais cobiçados prêmios dos EUA neste sentido, o Kennedy Center Honors Award.
 
Senti um calafrio ao ler o parágrafo final da reportagem: "Claudette Colbert morreu em sua casa, na ilha de Barbados, onde residia desde sua voluntária aposentadoria". Não é que era ela mesmo?!
 
Ao chegar em casa, fui direto à estatueta e ela me pareceu mais bela do que sempre me parecia quando a olhava junto com as outras da coleção que tenho.
 
A peça agora tem um nome: chama-se, Claudette Colbert.
 
Giuseppe Armani faleceu em 2006 e a série “Bailarina Flamenca” foi um dos seus últimos trabalhos. Só há 5000 delas no mundo, assinadas por G. Armani, e uma delas, graças à senhora Colbert, está na minha sala.  Abaixo os detalhes de uma peça similar a minha.
 

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